Nesta palavra se resume a minha existência...
A vaga história da minha vida, resume-se a uma luta em busca do prazer. Desde pequenina tenho uma aversão a tudo o que é feito por fazer, sem alma, sem sentimento.
Senti-me oca, vazia, inútil enquanto tirei um curso que faria de mim uma Senhora, mais, uma Senhora Doutora. Foram os anos em que me senti mais limitada, inculta, burra... nada do que fazia e aprendia iria ter algum significado, nunca me imaginei fardada a preceito numa barra de Tribunal. Emocionalmente fraca para entrar no mundo da Polícia Judiciária, tudo não passava de um Teatro de péssima qualidade. Direito bem torto, tudo não passa de um jogo de palavras e valores, não éticos, mas monetariamente válidos.
Senti-me culta e válida enquanto ser humano a primeira vez que tirei um café encorpado que despertou uma longa conversa sobre a história do café! Talvez seja um trabalho bem mais mecanizado e oco que outro qualquer, mas para mim não é! Eu vivo-o, sinto e vibro com cada café, brinco com a espuma do leite, tento advinhar em cada pedido uma personagem. Brinco com cada ingrediente que me passa pelas mãos e deleito-me a empratar qualquer coisa... do crepe mais artístico ao pastel de nata, eu brinco e recrio-me e dou-me, como quem pinta uma tela branca, um quadrado branco rabiscado a preto.
Não que me ache uma grande coisa, pelo contrário, mas sempre gostei de partilhar o que tenho de bom!
Mas... estou cansada! Eu gosto de pintar, de escrever, mas detesto comprar as matérias-primas, irrita-me a burocracia instalada, os papéis para tudo o que nunca se soube e saberá. O cansaço de abrir mil sorrisos todos os dias, independentemente do que nos vai na alma, e receber dois ou três!
Quando me perguntavam em pequenina o que queria ser, dizia orgulhosa, com grande espanto dos meus Pais, AFRICANA! Ao colo do Pai, a devorar mais um documentário sobre a vida selvagem, a pergunta:
- Queres ser africana porquê Néinha?
- Quero ser feliz!
Faço as malas... reúno toda a experiência prazerosa e, por vezes, frustrante de estar atrás de um balcão, e preparo-me para rumar a Sul. Posso ter nascido cá, há um registo que atesta o meu corpo como nascido em Portugal, mas... à minha Alma só a mim me cabe dar destino, e a minha Alma é africana!
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