"(...) Partir e partir e partir, sem nunca chegar, sem nunca chegar ao porto seguro. Só chega quem parte.(...)
Faz frio aqui.Procurei-te tantas vezes em todo o prazer que senti com tantas mulheres. De cada vez que irrompia pelos corpos adentro, procurei-te com o meu sexo, ao que reduzi tantas vezes a minha existência e todo o meu corpo, para nem sequer te entrever. De cada vez que me vinha não te encontrava na ternura do teu abraço, era um cadáver que me dera prazer. Vir-me sem ti, partir sem remédio.(...)
E como o copo para o alcoólico e a linha branca para o cocainómano, o teu corpo é para o meu corpo e a tua vida para a minha alma. Nunca o mundo renegado foi tão apetecido. Tu que nunca foste minha, mesmo adormecida ao meu colo, escapavas pelas portas cegas de um sonho desejado.(...)"
Pedro Paixão, Ladrão de Fogo
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