domingo, 2 de novembro de 2008

Pedro Paixão, Ladrão de fogo

"Num instante o desejo tomou conta de mim. Desejo nem sei de quê.Talvez de te abraçar e desfazer-me no abraço. (...)

És de verdade ou de mentira. Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo.(...)

Nada do que importa se sabe. Tudo é mistério. (...)

Entraste em mim como uma seta, rápida como o vento, quente como o fogo. (...)

Não sei porque te conto isto. Só te vi duas vezes e já de ti tenho saudades. Saudades de futuro. Fizeste-me sentir que ainda era possível abrir portas diante de uma parede sem portas, que talvez não fosse o fim mas o começo de tudo. (...)

O prazer como último refúgio, a derradeira possibilidade de adormecer. O prazer persiste em fazer girar o mundo. (...)

Onde estás tu agora? Partir e partir e partir, sem nunca chegar, sem nunca chegar ao porto seguro. Só chega quem parte." (...)

Faz frio aqui. Procurei-te tantas vezes em todo o prazer que senti com tantas mulheres. De cada vez que irrompia pelos corpos adentro, procurei-te com o meu sexo, ao que reduzi tantas vezes a minha existência e todo o meu corpo, para nem sequer te entrever. De cada vez que me vinha não te encontrava na ternura do teu abraço, era um cadáver que me dera prazer. Vir-me sem ti, partir sem remédio.(...)

E como o copo para o alcoólico e a linha branca para o cocainómano, o teu corpo é para o meu corpo e a tua vida para a minha alma. Nunca o mundo renegado foi tão apetecido. Tu que nunca foste minha, mesmo adormecida ao meu colo, escapavas pelas portas cegas do sonho desejado. (...)

Só quando me livrar de mim, me livrarei de ti. Amor de mulher."

Pedro Paixão, Ladrão de fogo

Se disser que li este livro mil vezes, provavelmente, estou a mentir... já o li, vivi, reli, de olhos abertos, olhos fechados, tantas, mas tantas vezes que contar seria uma pura perda de tempo! Aliás, este e todos os livros, do meu Querido e Amante Pedro Paixão. Quantas vezes te citei em desespero... sem que me entendessem!

Enfim, se puderem leiam, é uma obra prima! 

PS: Só não me peçam emprestado... a minha cópia já encerra muitas histórias, para poder ser tão abstracto e generoso, quanto um livro de biblioteca!

2 comentários:

Sem disse...

Mais algo em comum! O meu autor preferido!

M&M disse...

Sempre tivemos bom gosto Princesinha!;) PS: A Ti empresto minha Querida! Poucas coisas haverá em mim que já não saibas! Adoro-te!